Das Estranhas Origens da Blogoescrita
- Tanta vida, tanta poesia tanta ânsia de chegar; e eu aqui a precisar desesperadamente de uma massagem no pescoço… -
Aparentemente tudo é circular. Desde o universo que teima em se dobrar sobre si próprio, até às caricas das cervejas e passando com especial relevância pelo destino das pessoas; que é assim uma espécie de guião para um mau filme, e que está constantemente a ser reescrito por um autor que nunca aparece no estúdio.
Após uma viagem de trabalho insípida e praticamente sem história, acordei no Domingo com uma esfuziante e estranha vitalidade, que me fez saltar da cama para a bicicleta ainda não eram oito e meia.
Devia ter logo desconfiado de tanta energia positiva. Mas como sou um optimista, atribuí isso a uma favorável conjunção cósmica e montei o velocípede, lançando-me no vento. Tendo porém o cuidado em manter a parte de borracha sobre o pavimento.
Não vos maçarei com a interminável narrativa dos locais do meu imaginário. Para mais, havia pouca gente na rua e a maior percentagem deles nem sequer era digna de figurar numa estatística, quanto mais neste relato de fino recorte literário.
Percorri o trajecto um pouco mais rapidamente que o habitual, pois algumas horas depois teria que visitar os Jerónimos (o monumento, e não a família do eminente anti-fascista) e assistir ao baptismo das minhas sobrinhas.
Ao sair fumegante do chuveiro e sentindo-me tão vivo como um vitelo amamentado a “Red Bull”, decidi espreguiçar-me longamente. Não fui assim tão longe afinal… Estava com os braços esticados em direcção ao céu (ou à banheira do vizinho de cima, como preferirem) quando senti mais do que ouvi, um estalido seco que se repercutiu a partir da base do meu pescoço.
Não sou um tipo dado a achaques ou chiliques; mas percebi algo logo de início: fosse o que fosse era altamente restritivo e doloroso. Foi pois com uma certa lentidão que vesti a minha fatiota “à Joe Berardo” e entrei no transporte que me aguardava.
Felizmente a cerimónia decorreu sem sobressaltos. E embora tivesse sido destacado para documentar a coisa com a câmara de filmar, correu tudo fluidamente pois o ritual decorreu num dos recantos do templo; em cerca de 45m² que abrangiam um altar, uma pia baptismal e algumas pinturas de santos mal encarados que pela expressão estariam ali há muito tempo.
Uma hora depois, após três gin & tonic e alguns requintados canapés, a dor no meu pescoço tinha regredido à categoria de mera latência. Pelo que me limitei a gozar o dia.
Almoçámos num terraço suspenso sobre a Serra de Sintra, que tal como da última vez em que lá estivera pouco deixava ver além do verde viçoso por onde se passeavam nuvens baixas, que a cada passo deixavam húmidos beijos no arvoredo.
Devo ter idealizado aí uns três posts sobre folhagem, céu opaco e árvores húmidas de musgo, onde amantes se encostariam sofregamente sentindo o sangue pulsar escaldante sob a pele que a névoa orvalhava.
Por altura da sobremesa já os tinha esquecido, claro.
Entretanto as sombras lentamente faziam a sua escalada pela encosta verdejante como uma plúmbea e imparável vaga; fazendo-nos notar que a passagem do tempo nos aproximara da hora limite; e que já devíamos estar acondicionados no transporte para sermos devolvidos à procedência.
Enquanto atravessava a estrada veio-me à lembrança o texto que não escrevera. Olhei para trás em busca da branca névoa que me inspirara anteriormente e constatei sorrindo que esta se espalhara por debaixo das copas das árvores, e nos acompanhara em direcção ao veículo.
Foi nessa altura que ouvi novamente aquele estalido.
…
Percorri todo o caminho de regresso com a cabeça apoiada no vidro da janela, reflectindo que apesar de tudo sempre arranjara assunto para escrever.
Mas o facto de ter o pescoço um pouco “à banda” não me afecta muito… Principalmente devido à minha condição de incorrigível optimista. Pois a primeira coisa que pensei quando cheguei ao escritório e olhei para o computador, foi – “De qualquer modo, já tinha o monitor do lado direito…”
Música de Fundo
“Time to Pretend” – mgmt
- Tanta vida, tanta poesia tanta ânsia de chegar; e eu aqui a precisar desesperadamente de uma massagem no pescoço… -
Aparentemente tudo é circular. Desde o universo que teima em se dobrar sobre si próprio, até às caricas das cervejas e passando com especial relevância pelo destino das pessoas; que é assim uma espécie de guião para um mau filme, e que está constantemente a ser reescrito por um autor que nunca aparece no estúdio.
Após uma viagem de trabalho insípida e praticamente sem história, acordei no Domingo com uma esfuziante e estranha vitalidade, que me fez saltar da cama para a bicicleta ainda não eram oito e meia.
Devia ter logo desconfiado de tanta energia positiva. Mas como sou um optimista, atribuí isso a uma favorável conjunção cósmica e montei o velocípede, lançando-me no vento. Tendo porém o cuidado em manter a parte de borracha sobre o pavimento.
Não vos maçarei com a interminável narrativa dos locais do meu imaginário. Para mais, havia pouca gente na rua e a maior percentagem deles nem sequer era digna de figurar numa estatística, quanto mais neste relato de fino recorte literário.
Percorri o trajecto um pouco mais rapidamente que o habitual, pois algumas horas depois teria que visitar os Jerónimos (o monumento, e não a família do eminente anti-fascista) e assistir ao baptismo das minhas sobrinhas.
Ao sair fumegante do chuveiro e sentindo-me tão vivo como um vitelo amamentado a “Red Bull”, decidi espreguiçar-me longamente. Não fui assim tão longe afinal… Estava com os braços esticados em direcção ao céu (ou à banheira do vizinho de cima, como preferirem) quando senti mais do que ouvi, um estalido seco que se repercutiu a partir da base do meu pescoço.
Não sou um tipo dado a achaques ou chiliques; mas percebi algo logo de início: fosse o que fosse era altamente restritivo e doloroso. Foi pois com uma certa lentidão que vesti a minha fatiota “à Joe Berardo” e entrei no transporte que me aguardava.
Felizmente a cerimónia decorreu sem sobressaltos. E embora tivesse sido destacado para documentar a coisa com a câmara de filmar, correu tudo fluidamente pois o ritual decorreu num dos recantos do templo; em cerca de 45m² que abrangiam um altar, uma pia baptismal e algumas pinturas de santos mal encarados que pela expressão estariam ali há muito tempo.
Uma hora depois, após três gin & tonic e alguns requintados canapés, a dor no meu pescoço tinha regredido à categoria de mera latência. Pelo que me limitei a gozar o dia.
Almoçámos num terraço suspenso sobre a Serra de Sintra, que tal como da última vez em que lá estivera pouco deixava ver além do verde viçoso por onde se passeavam nuvens baixas, que a cada passo deixavam húmidos beijos no arvoredo.
Devo ter idealizado aí uns três posts sobre folhagem, céu opaco e árvores húmidas de musgo, onde amantes se encostariam sofregamente sentindo o sangue pulsar escaldante sob a pele que a névoa orvalhava.
Por altura da sobremesa já os tinha esquecido, claro.
Entretanto as sombras lentamente faziam a sua escalada pela encosta verdejante como uma plúmbea e imparável vaga; fazendo-nos notar que a passagem do tempo nos aproximara da hora limite; e que já devíamos estar acondicionados no transporte para sermos devolvidos à procedência.
Enquanto atravessava a estrada veio-me à lembrança o texto que não escrevera. Olhei para trás em busca da branca névoa que me inspirara anteriormente e constatei sorrindo que esta se espalhara por debaixo das copas das árvores, e nos acompanhara em direcção ao veículo.
Foi nessa altura que ouvi novamente aquele estalido.
…
Percorri todo o caminho de regresso com a cabeça apoiada no vidro da janela, reflectindo que apesar de tudo sempre arranjara assunto para escrever.
Mas o facto de ter o pescoço um pouco “à banda” não me afecta muito… Principalmente devido à minha condição de incorrigível optimista. Pois a primeira coisa que pensei quando cheguei ao escritório e olhei para o computador, foi – “De qualquer modo, já tinha o monitor do lado direito…”
Música de Fundo
“Time to Pretend” – mgmt

14 comentários:
A PDI não perdoa, amigo! E isso de andar por aí a estalar pode dar aso a mal-entendidos, como aquele toque do telefone que parece um peido... Compra uma Gueixa para te massajar a zona do alvo...
Desejo as tuas melhoras.
Um abraço
Já vai pesando um bocado, Boaventura. Especialmente se entrar naquela do "antes eu fazia isto com a maior das facilidades".
Talvez seja sinal de pelintrice, mas faço questão em não pagar massagens e afins.
Não sei porquê, sabem melhor...
;-))
Ah, e um abraço.
Já que estás tão longe... podem ser dois.
;-)
Eu sei que é não é nada bonito rir da desgraça dos outros, mas não me deixaste alternativa.
Em jeito de compensação, deixo-te isto:
http://www.deco.proteste.pt/map/src/491791.htm
Dizem eles que pequenos gestos fazem a diferença. E para o caso de não te dares ao trabalho de ler tudo, lê pelo menos o último parágrafo.
Não tenho problema algum com o riso, "em bicos de pés".
Infelizmente era um torcicolo genuíno.
Quanto ao resto, obrigado mas fico-me pelo Brufen (que também aconselham).
;-)
Se um torcicolo te torna romântico a ponto de escreveres "encosta verdejante como uma plúmbea e imparável vaga", é abençoado por Blog. ;) E eu só posso oferecer massagens ao pescocinho. :)
Já agora, digo-te que a faixa etária das fisioterapeutas é baixa. Há é poucos homens. ;)
Obrigado, Maria Árvore. Já está a melhorar (lentamente).
Pois, isso pode constituir um problema, mas, massagens são massagens...
Quanto ao défice masculino, compreendo o teu reparo. Os homens são mais dados à actividade amadora e ocasional. Talvez seja da preguiça inata.
(eu próprio às vezes aínda exerço)
;-))
Estou com a Maria... que torcicolo romântico... e que dizer de "húmidos beijos no arvoredo", ou ainda "árvores húmidas de musgo, onde amantes se encostariam sofregamente sentindo o sangue pulsar escaldante sob a pele que a névoa orvalhava"?
Isto é que é romantismo!!! (Ou isso, ou overdose de Brufen)
Obrigado, "the f word". Sintra exerce sempre esse efeito em mim.
O Brufen só mesmo em quantidades reduzidas (para dizer a verdade, metade das vezes esqueço-me de o tomar).
;-)
Eu tenho um sonho (que já vem de longa data) relativamente às massagens.
Desenvolver uma nova técnica: A massagem holandesa.
Toda a técnica e sabedoria da massagem tailandesa, mas... feita com as tamancas holandesas.
Se quiseres... olha, ficas em bons pés :-)
É sem dúvida uma inovação, Yulunga.
Mas deve ser pouco prático para as pobres massagistas, terem que envergar todos aqueles saiotes, a touca de bicos e aínda as tairocas de madeira.
Alía´s é a impressão que me dá. Pois cada vez que vemos uma montra de "massagistas" holandesas, estas estão sempre em trajes menores.
Eu pessoalmente, o mais que me arrisco é até à chinela havaiana...
;-)
«Aparentemente tudo é circular. Desde o universo que teima em se dobrar sobre si próprio...» e portanto o teu pescoço colocou-te em sintonia com o Universo.
Se o Universo é curvo como pode uma linha recta ser a distância mais curta entre dois pontos? Seguramente que essa distância só pode ser uma linha curva, não?
Ou melhor, aquilo a que chamamos linha recta, na realidade não será uma linha curva com um coeficiente de curvatura igual ao do Universo, ou não?
O teu torcicolo é muito inspirador, não há dúvida.
;)
;)
A linha recta, Francisco de Blog, é apenas uma curva pouco pronunciada; visto que não existem verdadeiras rectas.
Quanto à tua consideração sobre a distância; para ir do ponto "x" ao "y" o caminho mais rápido é fazer com que um deles se coloque perto do outro (estamos a aprefeiçoar um chamariz para planetas, mas por enquanto só conseguimos atraír poeira e algumas palhinas transportadas pelo vento).
;-)
A linha recta, Francisco de Blog, é apenas uma curva pouco pronunciada; visto que não existem verdadeiras rectas.
Quanto à tua consideração sobre a distância; para ir do ponto "x" ao "y" o caminho mais rápido é fazer com que um deles se coloque perto do outro (estamos a aprefeiçoar um chamariz para planetas, mas por enquanto só conseguimos atraír poeira e algumas palhinas transportadas pelo vento).
;-)
Enviar um comentário